Construção civil

Job costing na construção civil: como saber a margem de cada obra

O P&L da empresa fecha positivo enquanto duas obras específicas drenam o caixa. Sem job costing, você não vê nenhuma das duas.

Job costing é separar receita e custo por obra, em vez de jogar tudo numa conta só de despesa. Sem isso, o P&L da empresa pode fechar positivo enquanto duas ou três obras específicas consomem o lucro das outras, e ninguém percebe até faltar dinheiro para a folha. Com job costing no QuickBooks, cada obra vira um projeto com receita, material, mão de obra e subcontratado separados, e a margem de cada uma fecha todo mês.

Por que o P&L da empresa esconde o problema

Imagine uma construtora que fechou o ano com 1,2 milhão de receita e 9 por cento de margem. Parece saudável. Agora quebre esse número por obra.

ObraReceitaCustoMargem
Reforma residencial A320 mil246 mil23%
Comercial B410 mil336 mil18%
Reforma C180 mil191 milmenos 6%
Ampliação D290 mil319 milmenos 10%

As duas primeiras obras sustentaram o ano. As duas últimas devolveram boa parte do que elas ganharam. No P&L consolidado, isso aparece como 9 por cento de margem e nada mais. O empresário fecha o ano achando que o negócio dá 9 por cento, quando na verdade o que ele faz bem dá 20 e o que ele faz mal dá prejuízo.

A decisão que ele toma no ano seguinte com essa informação é errada por construção: ele vai continuar aceitando os dois tipos de obra.

O que separar em cada obra

Job costing não é só marcar a despesa com o nome da obra. É separar por natureza, porque cada natureza tem um comportamento diferente e um responsável diferente.

  • Material. É o mais fácil de amarrar e o que mais estoura por causa de compra fora do orçado.
  • Mão de obra própria. Precisa de apontamento de hora por obra, senão o custo fica todo na conta genérica de folha.
  • Subcontratado. Costuma ser a maior linha e a mais desorganizada, porque o pagamento sai por cheque ou transferência sem amarração.
  • Equipamento e aluguel. Guindaste, caçamba, andaime. Item que fica parado na obra é custo correndo sem produção.
  • Permit e taxas. Pequeno em valor, mas quando não é amarrado à obra distorce a comparação entre projetos.
  • Retrabalho. Vale a pena isolar. É o custo que ninguém orça e o que mais explica obra que virou prejuízo.

Como isso funciona no QuickBooks

O QuickBooks tem recurso de projeto, que é onde o job costing acontece. A estrutura mínima que funciona é esta.

  • Cada obra vira um projeto, com nome que a equipe reconheça, não código interno.
  • O plano de contas separa custo direto de obra das despesas administrativas da empresa.
  • Toda transação de custo recebe o projeto no momento do lançamento, não no fim do mês.
  • A receita da obra é reconhecida no mesmo projeto, para a margem fazer sentido.
  • O relatório de lucratividade por projeto entra no fechamento mensal, ao lado do P&L.

A conciliação com o Buildertrend

Quem usa Buildertrend já lança orçamento, change order e compra por obra lá dentro. O problema clássico é que esses dados vivem separados da contabilidade, e os dois lados nunca batem.

O que resolve é tratar cada sistema pelo que ele é melhor. O Buildertrend continua sendo a fonte da operação da obra, o QuickBooks continua sendo a fonte da contabilidade, e existe uma conciliação periódica entre os dois. Assim você não digita duas vezes e não convive com dois números diferentes para a mesma obra.

Subcontratado, W-9 e 1099

É a linha que mais gera dor de cabeça em janeiro, e a causa é sempre a mesma: o pagamento aconteceu, mas a documentação não. A rotina que evita isso tem três regras simples.

  • W-9 antes do primeiro pagamento. Nenhuma exceção. Depois que o serviço foi prestado, a chance de conseguir o documento cai muito.
  • Pagamento sempre amarrado à obra. Cheque solto sem referência é custo que existe e não aparece em obra nenhuma.
  • Acumulado por prestador ao longo do ano. É o que define quem precisa de 1099, e conferir isso em janeiro é tarde.

O que muda depois de três meses de job costing

O ganho não é o relatório, é o que ele permite decidir. Depois de um trimestre com custo separado por obra, três coisas mudam de lugar.

  • O orçamento deixa de ser chute. Você passa a orçar com o custo real do seu próprio histórico, e não com percentual de regra de bolso.
  • Você aprende a recusar. Fica claro qual tipo de obra, qual faixa de valor e qual perfil de cliente dá prejuízo consistente.
  • A correção acontece no meio da obra. Com margem acompanhada mês a mês, dá para renegociar escopo ou change order enquanto o contrato ainda está aberto.

Dúvidas frequentes

Perguntas sobre este tema

Job costing serve para construtora pequena?

Serve, e a rigor é onde ele faz mais diferença. Construtora pequena não tem folga para carregar uma obra de prejuízo, e é justamente ela que costuma não ter a informação. Com três a cinco obras simultâneas o controle já é simples de manter.

Preciso trocar do Buildertrend para o QuickBooks?

Não. Os dois têm funções diferentes e devem coexistir. O Buildertrend é o sistema de gestão da obra, o QuickBooks é o sistema financeiro. O que precisa existir é a conciliação entre eles, para não haver dois números para a mesma obra.

Como amarrar hora de funcionário à obra?

Com apontamento de hora por obra, que pode vir do próprio Buildertrend ou de um controle simples de ponto. Sem isso, a mão de obra própria fica toda numa conta genérica de folha, e a margem por obra sai incompleta.

E as obras que já terminaram?

Dá para reconstruir, desde que exista extrato e nota do período. Costuma valer a pena reconstruir as últimas três a seis obras, porque é essa amostra que revela o padrão do que dá lucro e do que não dá.

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