Restaurantes
Restaurante cheio e caixa vazio: food cost e prime cost explicados
Movimento não paga conta. Dois números pagam, e quase ninguém acompanha os dois no mesmo lugar.
Restaurante quebra com movimento porque o que decide a saúde do negócio não é o faturamento, são dois custos: o food cost, que é quanto você gasta com insumo para cada dólar vendido, e o custo de mão de obra. A soma dos dois se chama prime cost e, num restaurante saudável, costuma ficar entre 55 e 65 por cento da receita. Acima disso, você pode encher a casa todo dia e ainda assim terminar o mês sem caixa.
O que é food cost e como calcular
Food cost é o custo do insumo dividido pela receita do mesmo período, em percentual. A fórmula é simples e você consegue rodar hoje com os dados que já tem.
A referência de mercado costuma ficar entre 28 e 35 por cento, variando muito por tipo de operação. Churrascaria e frutos do mar trabalham naturalmente mais alto. Pizzaria e cafeteria trabalham mais baixo. O que importa não é bater um número de revista, é acompanhar a sua própria linha mês a mês e entender por que ela se mexeu.
Por que separar por categoria muda tudo
Quando tudo entra como compra de alimentos, você vê que o food cost subiu de 30 para 34 por cento e não faz ideia do motivo. Separando em proteína, bebida, hortifruti e descartável, a resposta aparece na hora.
- Proteína. Costuma ser metade do custo e é onde a variação de preço do fornecedor mais dói.
- Bebida. Margem alta e desvio fácil, porque é o item que mais some sem registro.
- Hortifruti. Perda por estrago aparece aqui, e é o sinal mais direto de compra mal dimensionada.
- Descartável. Parece pequeno, mas em operação com muito delivery vira uma linha relevante e ninguém olha.
O prime cost, que é o número que decide
Prime cost é food cost mais custo de mão de obra, comparado com a receita. Mão de obra inclui salário, hora extra, encargos e a parte da gorjeta que passa pela folha.
| Prime cost | O que significa | O que fazer |
|---|---|---|
| Abaixo de 55% | Operação eficiente, com folga para investir | Manter e monitorar |
| Entre 55% e 65% | Faixa saudável para a maioria das operações | Acompanhar mensalmente e olhar a tendência |
| Entre 65% e 70% | Sinal amarelo, a margem está sendo comprimida | Investigar qual das duas pontas subiu e por quê |
| Acima de 70% | O aluguel e as demais despesas não cabem no que sobra | Ação imediata em cardápio, preço ou escala |
A razão de olhar os dois juntos é que eles se compensam. Um restaurante pode ter food cost alto e mão de obra enxuta, ou o contrário, e os dois cenários funcionam. O que não funciona é a soma passar do limite, e é justamente a soma que quase ninguém calcula.
Por que o número certo raramente existe
Para calcular prime cost com precisão você precisa de três coisas que costumam estar espalhadas: a receita real conciliada, o custo de insumo separado por categoria e o custo de mão de obra do mesmo período. Na prática, o que acontece é diferente.
- A receita vem do sistema de ponto de venda, que mostra a venda bruta, e não o que efetivamente caiu no banco depois da taxa de cartão.
- O custo de insumo está no extrato do cartão, misturado com conta de luz e material de limpeza.
- A mão de obra está no provedor de payroll, num relatório que ninguém cruza com nada.
- A gorjeta transita pelos três lugares e é tratada como receita em um e como repasse em outro.
Sem juntar essas três fontes na contabilidade, o prime cost é chute. E chute em restaurante custa caro, porque a margem é fina e o erro só aparece quando o caixa já secou.
O que fazer quando o número passa do limite
Se o food cost subiu
- Compare o preço por unidade do seu fornecedor principal nos últimos três meses. Aumento silencioso é comum e ninguém percebe sem histórico.
- Olhe a perda por estrago no hortifruti. Compra mal dimensionada é a causa mais frequente e a mais fácil de corrigir.
- Revise a ficha técnica dos pratos que mais saem. Porção que cresceu sem ninguém decidir é o vazamento clássico.
- Confira o controle de bebida. É o item com maior desvio e maior margem, então cada ponto perdido ali pesa dobrado.
Se a mão de obra subiu
- Separe o custo por turno e por dia da semana. Quase sempre existe um turno específico que não paga a própria escala.
- Olhe a hora extra. Ela costuma ser sintoma de escala mal montada, não de movimento maior.
- Compare o custo de mão de obra com o número de comandas do mesmo turno, não com a receita do mês inteiro.
Dúvidas frequentes
Perguntas sobre este tema
Qual food cost é considerado bom?
Depende do tipo de operação. A referência de mercado fica entre 28 e 35 por cento, mas churrascaria e frutos do mar trabalham naturalmente mais alto, enquanto pizzaria e cafeteria trabalham mais baixo. O que importa mais que o número absoluto é a sua própria tendência mês a mês.
Prime cost inclui aluguel?
Não. Prime cost é só food cost mais mão de obra. Aluguel, energia, marketing e demais despesas fixas ficam fora, e é exatamente por isso que o prime cost precisa deixar espaço para elas. Se ele já consome 75 por cento da receita, o que sobra não paga o resto.
Com que frequência devo calcular esses números?
Food cost e prime cost, todo mês, sem exceção. O fechamento de caixa, todo dia. Divergência de caixa que passa trinta dias vira um buraco que ninguém consegue mais rastrear, porque a memória de quem estava no turno já sumiu.
O Toast já não mostra isso?
O Toast mostra a venda e o custo que você cadastrar nele. Ele não vê a compra que você fez no cartão da empresa, não conhece o custo real de folha e não concilia com o que caiu no banco depois da taxa de cartão. O número completo só existe quando as três fontes se encontram na contabilidade.
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